sábado, 9 de janeiro de 2016

Resenha: Branca dos mortos e os sete zumbis



Título original: Branca dos mortos e os sete zumbis e outros contos macabros
Autor: Abu Fobiya
Ano: 2012
Editora: Nerdboks
Páginas: 209 p.
Publicação: 2012
ISBN: 9788525055705 eISBN: 9788525055842
Idioma original: Português




Sinopse:
"Branca dos Mortos e os Sete Zumbis" é o conto que abre o livro de mesmo nome. Tal qual a caixa de pandora, uma vez abertas as páginas deste tomo macabro espalharão pesadelos e sortilégios ao redor do mundo. Aqui ninguém está a salvo, e o mais importante: nada é o que parece. A pobre filha do rei, cujo único pecado foi ser de todas a mais bela, precisará enfrentar zumbis e a fúria da madrasta invejosa. A morte de uma pequena vendedora de fósforos desencadeia uma série de roubos e um crime aparentemente insolúvel. E o grande segredo da menina do chapeuzinho vermelho será enfim revelado àqueles que tiverem coragem de se aventurar por estas páginas. Nesta compilação de 11 histórias de terror, zumbis e psicopatas dividem espaço com fadas e animais falantes, numa sucessão de capítulos não-lineares que culminam no fim do mundo e na transformação de tudo o que o leitor julgava saber sobre os contos de fadas..


Em uma das minhas procura por livros no google encontrei esse livro do escritor brasileiro Fábio Yabu (Abu Fobiya é o pseudônimo macabro de Fábio). Quando li a sinopse me apaixonei. Depois vi que os contos tinham influências de grandes autores do terror macabro Edgar Alan Poe, H. P. Lovecraft e os irmãos Grimm. Outro ponto positivo do livro é de que os contos relembrarem os contos de fadas originais escritos por Jacob e Wilhelm Grimm.


Tudo isso e mais o prefácio escrito por Eduardo Spohr que inicia com a pergunta “Você acredita em contos de fadas?” e continua, “Alguma coisa me diz que até o final deste livro você passará a acreditar”. E o autor é brasileiro. Nossa tudo isso é perfeito! Tenho que ler esse livro dizia pra mim mesma.

Adoro estórias de terror, não sou fã de contos de fadas estilo Disney, mas este dizia que seriam macabros. Até que comecei a ler e infelizmente veio à decepção. O livro não é nada disso que promete. Alguns contos são legalzinhos, mas no geral muito decepcionante.

As estórias são baseadas já nos famosos e conhecidos contos de fadas (Cinderela, Rapunzel, Pinóquio, João e Maria, a Bela Adormecida e entre outros) com uma reviravolta tenebrosa, um terror sanguinário e apelativo. Os contos iniciam com uma versão linda e fofa ao estilo Disney e de repente se transformam em um terror ao estilo Quentin Tarantino e Jogos Mortais (Saw), ao contrário do que eu estava esperando um terror sombrio ao estilo dos irmãos Grimm.

No primeiro conto, que recebe o nome do livro, quase desisti de ler, um dos mais longos contos do livro foram páginas e mais páginas de conto de fada clássico Disney, mas acabei resistindo e indo até o fim para ver uma princesa sanguinária. Olha que depois de ler os demais contos, esse foi um dos melhores contos do livro.

São 11 contos ao todo, as estórias são curtas e rápidas (exceção de alguns contos que são um pouco mais longos), a linguagem é simples chegando a ser bem tosca algumas vezes. Os personagens de todos os contos falam usando o pronome pessoal de 2º pessoa (tu). Isso foi um ponto positivo, achei que lembrava mais a linguagem dos contos de fadas. Há uma ligação entre alguns contos, personagens sendo referenciados em outros contos. No final há um fechamento ligando todos (ou quase todos) os contos. A versão que eu li traz as ilustrações de Michel Borges, que são maravilhosas, são desenhos clássicos dos contos de fadas, mas com estilo sombrio e bem perturbador.


Branca dos Mortos e os sete zumbis (3/5): Branca dos Mortos, a princesa mais bela de todas as mulheres, causa inveja em sua madrasta-bruxa que manda um caçador assassinar Branca, mas este a deixa viver. Branca está perdida na floresta, sozinha e com medo. Finalmente encontra uma cabana com sete camas pequenas e se tornar uma assassina sanguinária e mutiladora de anões zumbis mineradores.
Uma correção neste conto, morcegos não tem bico. Eles são mamíferos e possuem boca.
 “…Um morcego arrancou o olho regenerado do cão raivoso com o bico e o jogou longe…” p.51.


João, Maria e os Outros (2/5): João e Maria, irmãos que vivem com o pai e a madrasta. Eles não têm o que comer então a madrasta manda o pai abandonar os filhos na floresta para morrer e este o faz. O que gostei desse conto foi que o pai é o foco principal e não os irmãos.


Os três lobinhos (5/5): Esse foi o conto que mais gostei.  Talvez por não ter uma matança sangrenta nonsense.  O único que realmente se aproximam as lições de moral que os contos de fadas ensinam. É sobre a época que os lobos reinavam sobre a terra até serem punidos pelos deuses, sendo proibidos de comer outros animais. Três lobinhos desafiam a ordem, o primeiro come um porco e é punido pelos deuses. O segundo come uma criança humana e também é punido. O terceiro, o mais fraco deles, se esconde na moita a espera para atacar um menino que sempre enganava os adultos e quando o faz, não recebe castigo.


A vendedora de fósforos e o vingador (2/5): Ao estilo do conto João, Maria e os Outros, aqui também o foco principal é o pai e a lição para os pais não abandonarem e cuidarem de seus filhos. O pai maldoso exige que a filha saia de casa durante a pior nevasca para vender fósforos e diz para a menina só voltar quando tiver vendido todos os fósforos. A filha sozinha e abandonada na rua morre de frio e o pai passa a ser assombrado por fósforos.


Cindehella e o sapatinho infernal (4/5): Um dos mais longos contos e talvez o mais sangrento de todos. Narra a estória clássica da Cinderela, que após a morte do pai passa a viver com a madrasta má e suas duas filhas, a única coisa que deseja é ir ao baile para conhecer o príncipe, do nada aparece a fada madrinha (ou fada maldita) e aí temos a reviravolta macabra semelhante ao primeiro conto. Ganhou uma estrela a mais, porque gostei do final.


A Confissão (1/5): Horrível o conto, um dos piores. Confuso, rápido e totalmente sem sentido. Era para ser estória do Pinóquio, ainda bem que o autor falou o nome do velho Gepeto. Um velho amargurado pela perda de seu único filho e avisado pelo xerife que prenderam um criminoso. O velho decide ir a prisão conversar com o tal assassino.


Bela Incorrupta (1/5): Era pra ser a estória da Bela Adormecida ou Branca de Neve ou uma mistura das duas, sei lá fiquei na dúvida. A narrativa é muito cansativa, descritiva e chata.  Não fiquei nem com pena da Bela no final. Um médico passa a vida para revelar o segredo da imortalidade, anos após anos ele fracassa, até encontrar um corpo de uma jovem mulher bela, morta há séculos, mas em perfeita condição. Tenta realizar seu experimento para revivê-la e fracassa mais uma vez.


O monstro (0/5): O conto é em forma de poema e o pior conto do livro. Talvez porque não entendi esse conto. Um homem lamenta a sua vida.


O Cemitério (1/5): Outro conto sem sentido. Faz referência a Chapeuzinho Vermelho e só. Um fantasma recém-morto chega ao cemitério e passa suas horas iniciais olhando os seus moradores. Até uma menina chamar a sua atenção.


Samarapunzel (4/5):  O mais longo conto do livro. O autor junta a inocente Rapunzel com a maléfica Samara (do filme “O Chamado” – The Ring), criando Samarapunzel. O conto inicia com um irmão contando uma estória para seu irmão, sobre uma mulher grávida que teve o desejo de comer rapunzéis do quintal de uma velha bruxa, quando a criança nasce, a velha pega a menina e prende-a em uma torre alta, sem porta que ficava no meio de uma vale isolado.   Estava sendo o conto perfeito, dizia pra mim finalmente o autor escreveu uma estória decente ao que se propunha até chegar ao final e mais uma vez decepção.  No entanto, foi o segundo melhor conto do livro.


O fim de quase todas as coisas (1/5): Curtíssimo e sem sentido. Narra a conversa de um barqueiro que transporta as almas para o outo lado e a uma ninfa. Não há mais homens e o barqueiro se sente solitário.

Como vocês perceberam, eu não gostei do livro, estava esperando muito e a decepção foi grande. Se forem ler não tenham grandes expectativas.




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