segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Resenha: O vilarejo


Título Original: O vilarejo
Autor: Raphael Montes
Ano: 2015
Editora: Suma de Letras
Páginas: 96 p.
Publicação: 2015
ISBN: 8581053041
Idioma Original: português




Sinopse:
Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.


Acabei achando este livro recente (lançado ano passado – 2015) do escritor brasileiro Raphael Montes por acaso e após ler algumas resenhas me interessei muito pelo livro. É um livros de contos e do gênero terror.

O autor se diz ser o tradutor de um manuscrito escrito em cimério e que todas as histórias (7 ao todo) se passa em um mesmo vilarejo perdido no Leste Europeu. Diz que pode ser lido em qualquer ordem, neste ponto eu discordo acho que o melhor é ler na ordem apresentada no livro. Eu li assim e achei que todas as historias se encaixavam. Não é um tempo linear, mas bem fácil de identificar ao qual tempo a história se passa.

O livro apresenta um prefácio onde Raphael nos conta como adquiriu o manuscrito e traduziu-o e um posfácio com a conclusão da tradução que ele fez e a surpresa final.  Além dos sete contos, com cada um trazendo um demônio e título relacionado a um dos pecados capitais.

De acordo com a classificação de Binsfeld temos: Belzebu (gula), Leviathan (inveja), Lúcifer (soberba), Asmodeus (luxúria), Belphegor (preguiça), Mammon (ganância), Satan (ira).



O livro traz ilustrações do Marcelo Damm, algumas são um pouco fortes e chocantes, mas dentro do que o livro se propõe, afinal é um livro de terror. Não é um terror sangrento, é mais psicológico de como o ser humano pode ser cruel.






Cada conto narra em terceira pessoa à vida de um habitante e ao longo do livro as historias vão se entrelaçando.  Os contos são curtos e rápidos, sem deixar de ser complexos.


Banquete para Anatole - o vilarejo está devastado pela guerra e frio e uma mãe precisa fazer de tudo para manter seus filhos alimentados e vivos.

As irmãs Vália, Velma e Vonda - uma das irmãs gêmea-idêntica nasce com uma marca de nascença no rosto fazendo com que se sinta feia e não atraente para o noivo de sua irmã mais velha pelo qual está apaixonada.

O negro caolho - um negro forasteiro é abrigado por uma senhora gentil do vilarejo, mas que não passa de uma pessoa orgulhosa e vaidosa.

A doce Jekaterina - um homem se deixa ser dominado por um desejo descontrolado, passional e sexual.

A verdadeira história de Ivan, o ferreiro - Ivan vem de uma família trabalhadora, admirada por seus esforços e ajuda para com todos do vilarejo, mas ele passa longe disso.

O porquinho de porcelana da Sra. Blanka - a avó cria e cuida de sua neta desde que esta nasceu e perdeu os pais. Sempre preocupada com o futuro financeiro das duas.

Um homem de muitos nomes - Anatole, um pai e marido responsável, corajoso e rígido com a família. Quer o bem estar da família e se irrita facilmente com as brincadeiras infantis dos filhos.


Nunca tinha lido nada antes do autor e confesso que mesmo me interessando pelo livro estava com um pé atrás para ler. Mas fiquei muito impressionada com o livro, a escrita flui e mesmo o conteúdo sendo complexo não se torna cansativo. Os contos (todos) me prenderam do início ao fim.


Realmente este livro me surpreendeu positivamente.





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