quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Resenha: O jogo do anjo


Título Original: El juego del ángel
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Ano de Publicação: 2008
Editora: Planeta
Páginas: 667 p.
ISBN: 9788408004332
Idioma Original: espanhol
Título em português: O jogo do anjo





Sinopse:
O jogo do anjo é uma grande aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde fascínio dos livros, a paixão e a amizade se misturam.
Na turbulenta Barcelona dos anos 20 um jovem escritor obcecado por um amor impossível recebe a oferta de um misterioso editor para escrever um livro como nunca existiu em troca de uma fortuna e talvez algo mais.


“Nadie me había llamado señor en toda mi vida, y la formalidad me pilló por sorpresa.”

Igual a “A sombra do vento” que eu não sabia como fazer a resenha por ter gostado tanto e não conseguia transmitir isso na resenha, este livro também está sendo difícil fazer a resenha, mas por motivos contrários. Eu não quero desestimular ninguém a ler este livro, ele é bom, mas eu esperava mais dele.



O jogo do anjo é o segundo livro da série “O cemitério dos livros esquecidos”, o primeiro é “A sombra do vento”. Este livro se passa também em Barcelona, na primeira metade do século XX, nos anos 20. Portanto é anterior a história do primeiro livro.

Ao contrário do primeiro livro, a situação histórica e política da Espanha não estão tão presente no livro, mas o ambiente de Barcelona continua sendo sombrio, misterioso e caótico.

A história é narrada em primeira pessoa pelo personagem principal David Martín. Um jovem escritor de romances de mistério.

Zafón introduz o gênero realismo fantástico (ou realismo mágico), característica de vários livros de autores de língua espanhola. Assim, temos momentos que não sabemos se é realismo ou somente ficção do narrador.

Martín não é um personagem tão carismático quanto Daniel Sempere (A sombra do vento), mesmo assim sua história é comovente.

A mãe o abandonou ainda criança e ele foi criado pelo pai analfabeto, bêbado e drogado que tinha voltado da guerra das Filipinas cheio de marcas deixadas pela guerra. Martín desde pequeno tinha os livros como amigos, sem dinheiro para compra-los sempre visitava a livraria de Sempere e Filhos, nesta época cuidada pelo avô de Daniel. Sempere emprestava qualquer e todo livro que Martín quisesse ler.     

“Mi lugar favorito en toda la ciudad era la librería de Sempere e Hijos en la calle Santa Ana. Aquel lugar que olía a papel viejo y a polvo era mi santuario y refugio.”

O pai não entendia porque o filho gostava de ler e batia nele quando via ele com um livro. Quando finalmente os dois começam a se entender, o pai é assassinado. Martín, ainda um adolescente, fica sozinho. Consegue um emprego no jornal onde o pai trabalhava como vigia, e passa a ser “apadrinhado” por um homem rico e bondoso, chamado Pedro Vidal.

“A mi padre no le gustava ver libro por casa. Había algo en ellos, además de letras que no podía descifrar, que le ofendía.”

Com dezessete anos é contratado pelo jornal para escrever contos semanais. Começa a fazer muito sucesso e desperta à inveja dos colegas de trabalho que pedem a demissão de Martín.

Despedido do jornal, Martín é contratado por uma dupla de editores para escrever livros de suspense e mistérios sob o pseudônimo Ignatius B. Samson que fazem grandes sucessos. Mas o desejo de todos os autores é ser reconhecido e ninguém conhecia David Martín.

Finalmente os editores permitem que ele escreva um livro que leva seu nome na capa. Como o garoto não nasceu com a nenhuma sorte do mundo, o livro é um fracasso total. E para ganhar o título de azarão do século, Martín descobre que tem um carcinoma no cérebro e que tem pouco tempo de vida.

Quando parece que está tudo perdido, aparece um homem misterioso. Um editor francês que ninguém conhece Andreas Corelli. Ele contrata Martín para escrever um livro que mudará a história da humanidade, um livro surpreendente e que nunca ninguém nunca ousou escrever algo parecido.

“Querido David, la vida está hecha de grandes esperanzas. Cuando esté listo para hacer las suyas realidad, póngase en contacto conmigo. Estaré esperando. Su amigo e lector, A.C.”

O livro é dividido em três atos. O primeiro ato “La ciudad de los malditos” começa com Martín narrando sua história, a sua infância, o inicio de sua carreira de escritor, a amizade de Vidal e seu amor por Cristina. Uma leve pitada de mistério, sobre o misterioso Andreas Corelli.

O segundo ato “Lux Aeterna” é quando tudo (ou quase tudo) acontece. Martín já tem 28 anos e amadureceu muito nos últimos anos. Aqui conhecemos uma nova personagem Isabella, uma moça de dezessete anos e que vai ser muito importante na vida do Sempere filho e do Daniel. Também conhecemos quem realmente é Andreas Corelli. É a parte que mais nos prende ao livro, tanta coisa acontece que fica até um pouco confuso. São páginas e mais páginas de mistérios, fantasia e realismo.

O terceiro ato “El juego del ángel” é a parte que você não sabe nada do que realmente está acontecendo (eheheheheh). Aqui temos vários episódios violentos, mortes, crueldade e loucura, muito diferente do restante do livro.

O epílogo fecha a história de Martín e abre um leque de dúvidas nos leitores. Ainda não decidi se gostei ou não do epílogo. Acho que estava esperando mais explicações. Também ainda não sei se aquilo é real ou fantasia.

Me pareceu que ficaram muitas pontas soltas no livro, até houve algumas explicações dos acontecimentos, até plausíveis . Mas não sei se é confiável, já que quem contou não era uma pessoa confiável.

Quando terminei de ler pensei “realmente Zafón é um grande escritor”, a escrita dele flui e nos prende do inicio ao fim, mesmo a história não sendo boa.

Recomendo o livro, mas acho que quem não conhece o autor não deve ser a primeira obra lida. Comece pela “A sombra do vento” que é maravilhoso e que realmente faz você gostar e ver a grandiosidade do autor.


E eu vou ler o terceiro livro “O prisioneiro do céu” para ver se chego a uma conclusão do que aconteceu neste livro.




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