quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Resenha: Divergente

Título Original: Divergent
Autor: Veronica Roth
Ano de Publicação: 2011
Editora: Katherine Tegen Books
Páginas: 544p.
Ano de Edição: 2013
ISBN: 9780062077011
Idioma Original: Inglês
Título em português: Divergente




Sinopse:
Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções - Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição - e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo quer se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que poderá ter desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.


Fazer resenha de um livro que gostou é difícil, mas fazer resenha de um livro que você não gostou porque ele te decepcionou é mais difícil ainda. Eu não quero desestimular ninguém de ler, afinal pode ser que este livro seja para você.

No desafio/sugestão de livros do calendário, para o mês de fevereiro o tema era um livro que virou filme. Não sei como me lembrei deste filme, que eu assisti há muito tempo atrás. Eu tinha gostado, mas acabei não entendendo tudo, achei que tinham ficado várias pontas soltas que precisavam de explicações. Assim, peguei o livro para ler e me aprofundar neste mundo distópico de facções que a autora criou. Já adianto, o livro não me deu as respostas que procurava.

A ideia desse mundo pós apocalítico estar dividido em cinco facções que prezam uma determinada característica do caráter humano é muito interessante. No mundo futuro devastado por várias guerras, os habitantes concluíram que o motivo para tantas guerras não estava relacionado à politica, religião ou raça, mas sim à personalidade da pessoa. Assim, dividiram a sociedade em cinco facções:

  • Os que culparam a agressividade formaram a Amizade (Amity)
  • Os que culparam a ignorância se tornaram a Erudição (Erudite)
  • Os que culparam a duplicidade fundaram a Franqueza (Candor)
  • Os que culparam o egoísmo geraram a Abnegação (Abnegation)
  • Os que culparam a covardia se juntaram à Audácia (Dauntless)




As cinco facções trabalham juntas para manter a ordem e a paz no mundo. E os seus membros são responsáveis por um determinado setor da sociedade. A Abnegação está encarregada pelo governo; a Franqueza é responsável pela justiça; a Erudição fornece professores e pesquisadores; a Amizade se encarrega da agricultura e cuidados com a terra e natureza; a Audácia tem a função de proteger contra ameaças tanto internas quanto externas.

Quando os jovens completam 16 anos, eles fazem um teste de aptidão que vai ajuda-los a escolher qual facção melhor se encaixa na sua personalidade e natureza humana. No dia seguinte, realiza-se a Cerimonia de escolha, onde os jovens decidem se querem continuar na facção onde nasceram ou irem para outra facção (de acordo com o teste de aptidão ou não). Uma perfeita ocasião para colocar espiões em outras facções, mas isso não é nem mencionado.

Esta premissa do mundo dividido entre facções de acordo com sua personalidade é muito interessante, mas infelizmente no livro isso não é muito discutido ou um aprofundamento nestas ideologias. Elas são citadas superficialmente e sem demostrar interesse em saber mais o porquê e como funciona o sistema.

Vamos à história do livro, Beatrice Prior é uma jovem que acaba de completar 16 anos, ela vive com os pais e irmão alguns meses mais velho que ela. Eles pertencem à facção da abnegação, como todos da facção, eles estão sempre prontos para ajudar o próximo, esquecendo ou anulando eles próprios. Todos usam roupas cinza e são proibidos de usar qualquer acessório ou de olharem em espelhos. São de certa maneira frios e distantes um do outro, a afetividade, o carinho e a proximidade entre eles são vistas como egoísmo. Assim, como conhecimento ou curiosidade tem conotações negativas para eles, a erudição se torna a maior inimiga deles.

Beatrice sente que não se encaixa na abnegação, algo está faltando na vida dela, mas ela não sabe o que. Ao realizar o teste de aptidão, ela tem aptidão para abnegação, erudição e audácia – ela é uma divergente – mas ela não sabe o que isso significa só que é perigoso e ela tem que esconder isso de todos (inclusive sua família).

Na cerimonia de escolha ela escolhe ir para a audácia. Seu irmão escolhe a erudição, o que choca ela, afinal a erudição é inimiga deles – abnegação. Ao decidirem trocar de facção, eles deixam para trás a família. “Facção acima de sangue”.

Agora Beatrice, que decide ser chamada de Tris na nova facção, tem que passar por testes que comprovem sua bravura e eles não são nada fáceis.  Mas ela usa sua “divergência” para conseguir se destacar e passar todos os obstáculos.

Se você assistiu ao filme e conhece a Tris do filme, a Tris do livro é completamente diferente dela, no livro ela é, em suas próprias palavras, baixa, não bonita e sem atrativos físicos para os homens, além de ser “divergente” emocionalmente (piada sem noção).



A história é narrada por Tris, temos só o ponto de vista dela e isso eu achei horrível, por que até agora não sei o que é verdade ou o que ela acha e acredita que seja verdade. Ela não é curiosa e nem liga para descobrir as coisas, por isso ela não pergunta nada e só descobrimos algo quando outro personagem fala e logo é ignorado pela Tris, ou seja, ficamos no vazio de novo.

Agora o que mais me irritou foi ter que ficar o tempo todo na cabeça de uma garota mimada, chata, irritante, egoísta, que fica choramingando com saudade dos pais o tempo todo e que acha que a facção dela (abnegação) é a melhor. Pô, porque saiu de lá.

Uma coisa que achei interessante, mas que mais uma vez foi ignorado no livro foi que nos livros de distopia o protagonista/herói sempre está do lado do povo oprimido que tenta derrubar o governo corrupto. Neste não, o governo ditatorial está nas mãos da facção de nascença da Tris, seu pai é um dos governantes e ela defende com unhas e dentes a abnegação e é capaz de matar para manter a facção no poder absoluto. Achei que teria algo aí, mas não, só se tem algo para desenrolar no segundo livro. O que não irei descobrir porque não vou dar continuidade na série, ela vai ficar em hiatus por tempo indeterminado.

Ação acontece mesmo só nas últimas páginas, quando o golpe para derrubar abnegação inicia comandado pela erudição com apoio da audácia. Com certeza foram as melhores páginas do livro, muita ação e suspense. Mas também achei que muitas coisas complexas foram resolvidas com facilidade e muitas explicações superficiais.


O livro todo é muito superficial, ele só ganhou 3 livrinhos porque gostei bastante da ideia das facções e as pessoas serem divididas de acordo com a sua natureza humana.



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