domingo, 21 de fevereiro de 2016

Resenha: O prisioneiro do céu

Título Original: El prisionero del cielo
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Ano de Publicação: 2011
Editora: Planeta
Páginas: 384p.
Ano de Edição: 2011
ISBN: 9788408105824
Idioma Original: Espanhol
Título em português: O prisioneiro do céu




Sinopse:
Barcelona, 1957. Daniel Sempere e seu amigo Fermín estão de volta à aventura para enfrentar o maior desafio de suas vidas. Um personagem inquietante visita a livraria de Sempere em uma manhã em que Daniel está sozinho na loja. O homem misterioso entra e mostra interesse por um dos itens mais valiosos dos Sempere, uma edição ilustrada de 'O Conde de Montecristo' que é mantida trancada sob uma cúpula de vidro. Esta visita é apenas o ponto de partida de uma história de aprisionamento, traição e do retorno de um adversário mortal. Daniel e Fermín terão que compreender o que ocorre diante da ameaça da revelação de um terrível segredo que permanecia enterrado há duas décadas no fundo da memória da cidade.


Este mês para o desafio livros de autores de língua espanhola, li o terceiro (e talvez o último) livro da série O cemitério dos livros esquecidos do Carlos Ruiz Zafón. #DLALE

Para ler as resenhas dos dois primeiros livros, clique nos links A sombra do vento e O jogo do anjo.

Tinha me decepcionado bastante com o segundo livro (com certeza o mais fraco da trilogia), e comecei a ler O prisioneiro do céu já com um pé atrás. Em geral foi um ótimo livro, esclarecedor e amarrou várias pontas que ficaram soltas em O jogo do anjo. E ainda ficamos sabemos um pouco mais da história do Fermín. 

A sombra do vento é sem dúvida o melhor dos três livros, ele é perfeito por si só, a trama se completa sem a necessidade de outros livros. Mas o autor fez uma trilogia, O prisioneiro do céu cumpre seu papel de fechar a trama anterior e até abre uma nova trama, quem sabe teremos mais livros do cemitério dos livros esquecidos.

Neste livro, Daniel já um homem de família, trabalhando na livraria, casado com Bea e com o pequeno Julián de 1 ano. Fermín continua sendo Fermín, nos trazendo os momentos mais cômicos e os mais tristes, ele está preste a se casar com Bernarda, mas um mistério no seu passado está deixando-o inquieto e para piorar a situação um homem misterioso aparece na livraria, compra um exemplar caríssimo do livro O conde de Montecristo e manda entregar para Fermín com uma dedicatória estranha.

“Para Fermín Romero de Torres, que regresó de entre los muertos y tiene la llave del futuro. 13”

A história no presente se passa entre dezembro de 1957 a fevereiro de 1958, ao contrário dos outros dois livros que acompanhávamos os protagonistas (Daniel e Martín) por vários anos de suas vidas. Ela é narrada em primeira pessoa por Daniel Sempere. Já a história do passado é narrada em terceira pessoa e conta a vida do Fermín durante os anos que este passou preso até encontrar Daniel em A sombra do vento, entre os anos de 1939 e 1945.

“Siempre he sabido que algún día volvería a estas calles para contar la historia del hombre que perdió el alma y el nombre entre las sombras de aquella Barcelona sumergida en el turbio sueño de un tiempo de cenizas y silencio.”

Vemos uma Barcelona destruída e devastada pela guerra civil espanhola e pela II guerra mundial e também uma Barcelona tentando se reerguer e voltar a ser a cidade de antes das guerras.  

A história de Martín vai se fechando e realmente me surpreendeu, quando terminei de ler O jogo do anjo tinha pensando em várias hipóteses, até quase cheguei perto. Gostei da resolução, mas estou na dúvida se seria possível descobrir isso lendo o segundo livro ou só no terceiro mesmo.

Um ponto negativo que achei foi que neste livro não temos o personagem central que temos nos dois primeiros livros – o livro. Tanto em A sombra de vento que a trama central gira em torno do livro de Julián Carax, quanto em O jogo do anjo em que Martín está envolto com o livro que nunca ninguém havia escrito antes. Em O prisioneiro do céu, não temos um livro central. No inicio parecia que O conde de Montecristo faria este papel, mas ele só introduz o mistério.

“¿Sabe, Daniel? A veces pienso que Darwin se equivocó y que en realidad el hombre desciende del cerdo, porque en ocho de cada diez homínidos hay um chorizo esperando a ser descubierto." – Fermín Romero de Torres

Como sempre a escrita do Zafón é poética, cativante e encantadora, nos prendendo do inicio ao fim da história e nos fazendo viajar pela Barcelona da década de 50, o quanto é a riqueza das descrições.


Eu super que recomendo esta série, no entanto, os livros devem ser lidos na ordem de publicação A sombra do vento > O jogo do anjo > O prisioneiro do céu, caso contrário podem não fazer sentido alguns acontecimentos e um pouco do conhecimento de todos os personagens poderá ser perdido.


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