segunda-feira, 18 de abril de 2016

Resenha: Marina

Título Original: Marina
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Ano de Publicação: 1999
Editora: Planeta
Páginas: 296p.
Ano de Edição: 2010
ISBN: 9788408004349
Idioma Original: Espanhol
Título em português: Marina



Sinopse:
Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Oscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças - a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor.


Neste livro Zafón nos traz novamente Barcelona como “personagem” principal, uma Barcelona gótica, escura, sombria e enigmática do final da década de 70 e início da de 80. A história se passa em poucos meses, mas que parece que são anos de tanta ação e amadurecimento dos personagens.

Aqui vamos conhecer Oscar Drai, um garoto de quinze anos que vive em um internato de jesuítas e que adora explorar as ruas e seus casarões esquecidos pelo tempo. Em uma dessas explorações acaba entrando em um casarão que a princípio lhe parecia abandonado, mas que na verdade era habitado por duas pessoas que se tornariam a família de Oscar, Marina uma garota de também uns 15 anos e Germán, seu pai.

"Marina me dijo una vez que sólo recordamos lo que nunca sucedió."

A amizade surge quase de imediatamente entre os adolescentes, pois os dois tem o mesmo gosto por aventuras e o desconhecido. Assim, os dois vão ao cemitério esquecido de Sarriá. Lá veem uma mulher misteriosa, a Dama de Negro visitando um túmulo sem nome e decidem seguir a mulher até uma estufa. A partir daí a trama de mistério, suspense, terror, amizade, amor e drama de Zafón têm inicio.

É um livro que mistura vários gêneros desde amor entre adolescentes até o sobrenatural, mesclando o realismo com o terror fantástico assustador, sem exagerar ou deixar pedante demais.

A história é narrada em primeira pessoa por Oscar que decide voltar à cidade depois de quinze anos e contar o segredo que guarda desde o tempo de sua adolescência.  

"Todos tenemos un secreto encerrado bajo llave en el ático del alma. Éste es el mío."

Eu já sou fã da escrita do Zafón, adoro como ele escolhe as palavras formando uma musicalidade perfeita. Em Marina isso continua, a narrativa é sublime, carismática, detalhada e descritiva, mas sem ser cansativa ou enfadonha. Suas ideias fluem de forma sutil e com uma maestria incrível.

Outra coisa que adoro nas histórias do autor são seus personagens, ele os cria tão verdadeiros, reais, carismáticos que é impossível não ser tocado por eles. Me apeguei não só ao trio principal (Oscar, Marina e Germán), mas me vi torcendo pela Dama de Negro e Luis Claret.

O desfecho é forte, triste e lindo ao mesmo tempo. Já tinha percebido qual seria o destino dos personagens, então não foi uma surpresa, mas mesmo assim fiquei maravilhada como Zafón soube transmitir a dor e perda com tanta maestria.

“No se puede entender nada de la vida hasta que uno no entiende la muerte - añadió Marina.”

Enfim, Marina apesar de todo o mistério e sobrenatural é um livro leve, gostoso e rápido de ler. É uma leitura mais que recomendada.

Esta foi minha leitura para o desafio livros de autores de língua espanhola do mês de abril #DLALE.

“- La paciencia es la madre de la ciencia - ofreció Marina."
"- Y la madrina de la demencia - repliqué.”

“De nada sirve toda la geografía, trigonometría y aritmética del mundo si no aprendes a pensar por ti mismo.”

“A veces, las cosas más reales sólo suceden en la imaginación.”


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