quarta-feira, 13 de abril de 2016

Resenha: Quartos Fechados

Título Original: Habitaciones Cerradas
Autor: Care Santos
Ano de Publicação: 2011
Editora: Círculo de Lectores S.A.
Páginas: 495p.
Ano de Edição: 2011
ISBN: 9788467244243
Idioma Original: espanhol
Título em português: Quartos Fechados




Sinopse:
Na agitada e fascinante Barcelona no início do século XX, Maria del Roser Golorons, a matriarca de uma das famílias mais importantes da cidade, prepara a mudança dos Lax para sua nova residência. A belíssima mansão, vizinha do então incipiente Paseo de Gracia, está destinada a se tornar a zelosa guardiã de vidas dominadas por ambição, segredos inconfessáveis e paixões ocultas. Violeta Lax, no início do século XXI, segue para Barcelona para ver o afresco pintado pelo avô, Amadeo Lax, em seu local original, na mansão da família. É sua última chance de fazê-lo, pois logo a residência será transformada em uma biblioteca pelo governo da cidade. Porém, durante as obras de transferência do retrato, uma pequena despensa é descoberta atrás do mural e, no interior dela, um cadáver é encontrado. É o início das investigações de Violeta, estimulada a montar o intrincado quebra-cabeça que é a história dos Lax, em um enredo instigante construído com maestria.


Esse meu projeto de ler livros de autores de língua espanhola #DLALE está me levando a conhecer autores que nunca tinha ouvido falar antes e Care Santos foi um desses autores. Lendo blogs de língua espanhola encontrei esse livro, tinha várias criticas boas, sinopse interessante e era comparado “A Sombra do Vento” do Carlos Ruiz Zafón, livro que eu adorei e autor que entrou para meu top 5.  Claro que não pensei duas vezes para incluir na lista de leituras. Era para eu ter lido este livro no desafio de março, mas acabei terminando somente na primeira semana de abril.

O livro nos traz a história da família Lax desde o final do século XIX até 2010, narrando a vida do casal Rodolfo e Maria del Roser até sua bisneta Violeta Lax. A trama central é a respeito do pintor Amadeo Lax, filho de Rodolfo e Maria del Roser e avô de Violeta, que no inicio do século XX foi um pintor famoso.


Violeta, uma estudiosa da arte de Amadeo Lax, vai a Barcelona conhecer a grande obra de seu avô, um afresco pintado na parede da mansão Lax, intitulado Teresa Ausente, antes que este e a casa da família Lax sejam destruídas e a casa se transforma em um museu de arte.

Ao se iniciarem as obras, os trabalhadores encontram um quarto (tipo despensa) trancado atrás de uma parede de gesso, ao abrirem descobrem um cadáver de uma mulher e partir daí uma trama com muitos mistérios e segredos sobre Amadeo Lax começam a ser descobertos.

A história de inicio me pareceu ser muito boa e instigante, do tipo que me prenderia e só ia me soltar quando terminasse o livro e todos os seus mistérios fossem revelados. Mas logo descobri que não seria um livro deste tipo, ao contrário se tornou um livro enfadonho.

Não há mistério nenhum sobre o cadáver encontrado, assim que ele é descoberto já podemos saber quem é e quem é o assassino. Apesar de a autora querer fazer segredo sobre isso e só revelar no final do livro.

A história do passado é narrada em terceira pessoa e a atual (2010) nos é contada através de e-mails que Violeta envia para sua mãe. A história não é cronológica, dá saltos entre várias épocas do passado e presente. Isso foi muito bem elaborado, apesar de que fiquei várias vezes perdida devido a enorme quantidade de personagens de várias épocas diferentes.
“El final de esta historia nadie sabe dónde está, ni si existe.”

O número grande de personagens foi um ponto negativo do livro, a autora criou tantos e quis dar atenção a todos eles, que acabou ficando superficial e exagerado ao mesmo tempo. Alguns personagens deveriam ter recebido uma maior atenção, como a Maria del Roser (admirável matriarca da família, mulher de fibra e caráter), Tereza Brusés e principalmente Laia deveriam ter sido melhor exploradas, enquanto outros deveriam ter ficado em segundo plano somente dando suporte a trama.

Acho que o maior erro foi tentar criar várias tramas paralelas, que às vezes nem se interligava com a trama principal. Dando a impressão de estar lá só para aumentar as páginas de uma história que poderia ser resolvida em poucas páginas. Pareceu-me que autora queria um livro volumoso e começou a escrever, enrolando muito, acabando por ser perder no emaranhado da teia do que se propôs de inicio, escrever sobre a vida de Amadeo Lax, um homem admirado pela sociedade, um artista famoso e consagrado em sua época que depois da morte caiu no esquecimento. Mas o verdadeiro Amadeo nunca ninguém conheceu, um homem amargurado, mesquinho, egoísta, mimado e mau.


Quartos fechados seria um livro para dar certo, mas tantos erros e o caminho escolhido pela autora para dar continuidade ao mistério acabaram deixando-o maçante, enfadonho, uma leitura pesada e cansativa. Passa longe de ser comparado com “A Sombra do Vento”. O livro não me agradou pela ausência de objetividade e muita encheção de linguiça. 

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