sexta-feira, 20 de maio de 2016

Resenha: Toda luz que não podemos ver

Título Original: All the Light We Cannot See
Autor: Anthony Doerr
Ano de Publicação: 2014
Editora: Intrínseca
Páginas: 528p.
Ano de Edição: 2015
ISBN: 9788580576979
Idioma Original: Inglês
Tradução: Maria Carmelita Dias
Título em português: Toda luz que não podemos ver


Sinopse:
Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia eles encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial; descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.


Este livro me chamou a atenção pelo título, quando vi que ele ganhou o prêmio Pulitzer de ficção em 2015 e para o desafio I Dare You #IDAREYOUDL deste mês um dos temas é vencedor do Pulitzer, a escolha foi fácil e acertada.

O livro narra às histórias de Marie-Laure e Werner duas crianças que vão crescer durante a Segunda Guerra Mundial. Marie-Laure é uma menina francesa que fica cega aos 6 anos de idade e quando a Alemanha Nazista invade a França, ela e o pai fogem para Saint-Malo para viverem com o tio-avô dela. Werner é um órfão alemão que vive em um orfanato junto com a irmã mais nova, curioso e inteligente, características essas que acabam conferindo uma vaga na escola nazista e depois para o campo de batalha até chegar à cidade de Saint-Malo e o caminho dos dois jovens se cruzarem.

Segunda Guerra Mundial, dois jovens de lado opostos, se encontram e está pronta mais uma história clichê. Como eu gosto de histórias sobre a II Guerra não me importei com isso. Já estava pronta para ler mais uma história de uma jovem reprimida apaixonada por um jovem nazista. Qual não foi a minha surpresa quando percebi que Toda luz que não podemos ver está longe se ser uma história comum.

“Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre.”

A história é narrada em terceira pessoa, cada capítulo se centra na perspectiva de um dos protagonistas com alguns capítulos narrando a vida de uma terceira pessoa. Ele é dividido em 13 partes que alterna entre presente (agosto de 1944) e passado (iniciando em 1936) até as duas linhas temporais de encontrarem. Os capítulos são curtíssimos de uma a três páginas em geral, mas tem que prestar atenção nos detalhes, tudo aqui é importante e se perder alguma coisa pode não entender alguma coisa mais para frente.


É um livro sobre a Segunda Guerra sem judeus, campos de concentração (são só mencionados), sem a caracterização dos vilões nazistas que tanto vemos nos livros e filmes e sem atos heroicos dos mocinhos. As pessoas são humanas, não importa de qual lado você está o que você quer é sobreviver às atrocidades que uma guerra provoca na vida das pessoas. Na guerra não há bons ou maus.

Os personagens são tão bem construídos que você consegue enxergar seu interior através de suas ações. Não tem mocinho e vilão, o autor conseguiu mostrar a verdadeira face dos homens. Você torce pelas pessoas boas e entende os “personagens maus”; percebe o motivo que o faz fazer o que faz (!). Pode não simpatizar com eles, mas entende o que leva o Sargento-mor, Volkheimer e até Werner a escolher o caminho que seguem e suas ações.

“Você não quer se sentir vivo antes de morrer?”

Toda luz que não podemos ver nos apresenta uma história original que nos faz refletir sobre a guerra com uma visão mais realista. Ele é mais que recomendado e não se assustem com as mais de 500 páginas, a história te prende aliada com os capítulos curtos e quando percebe já está no fim.

“Sabe o que acontece quando você joga uma rã em uma panela de água fervente?”
“Ela pula para fora.”
“Mas sabe o que acontece quando você coloca a rã em uma panela de água fria e então lentamente põe a água para ferver?”
“A rã cozinha.”



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