quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Resenha: Fragmentados

Título Original: Unwind
Autor: Neal Shusterman
Ano de Publicação: 2007
Páginas: 384p.
Editora: Simon & Schuster
Ano de Edição: 2009
ISBN: 9781416912057
Idioma Original: inglês
Título em português: Fragmentados



Sinopse:
Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.


Distopia é um dos meus temas preferidos e quando li a sinopse deste livro me interessei bastante, parecia ser uma história diferente e realmente é bem diferente das distopias que costumo ler.

Fragmentados é o primeiro volume da série lançada nos Estados Unidos em 2007 (no Brasil foi lançando em 2015 pela Editora Novo Conceito), os demais livros não foram (até agora) publicados no Brasil. O segundo volume UnWholly publicado em 2012, o terceiro em 2013 UnSouled, o quarto volume UnDivided em 2014 e o quinto livro UnBoundis foi publicado em 2015 sendo que este foi escrito por Neal Shusterman, Michelle Knowlden, Jarrod Shusterman, Terry Black e Brendan Shusterman. Há também um novela publicada chamada de UnStrung.

Este livro foi lido para o Desafio Alfabeto Literário do mês de agosto, autor com inicial N #desafioalfabetoliterário.

O mundo estava em guerra dividido em dois grupos: Pró-Vida e Pró-Escolha. Após a morte de milhares de pessoas durante a Segunda Guerra Civil, também conhecido como a Guerra de Heartland, os dois grupos se uniram e aprovaram  “A Lei da Vida” que declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue à idade de treze anos. Depois dos 13 até completarem 18 anos, se os pais ou guardião legal quiser “abortar” o jovem, eles têm o direito de se desfazer do filho. Esse processo é conhecido como fragmentação.

Todos os órgãos e partes da criança serão retirados, separados e transplantado em quem precisa, o mais bizarro é que o fragmentado continua vivo, sua consciência está em cada parte transplantada. A sociedade acredita que está fazendo o bem. Afinal esses jovens problemáticos estarão ajudando as pessoas que sofreram algum acidente ou estão doentes a ter uma parte do corpo substituída. Claro, que se a pessoa quiser trocar alguma parte de seu corpo também pode (só precisa de um item $$$).

Unwinding is now a common, and accepted practice in society.(Fragmentação é agora uma prática comum e aceita pela sociedade.) – tradução minha.
Assim encontramos nossos protagonistas, Connor um rapaz de 16 anos, o tipo briguento da escola, está sempre com raiva e brigando, os pais cansados dos problemas do filho, o mandam para fragmentação. Risa, uma jovem de 15 anos órfã, sempre viveu no orfanato do estado, como não tem nenhuma aptidão extraordinária, o estado assina a ordem de fragmentação dela. Por fim, o melhor personagem, Lev, um adolescente de 13 anos, é o 10º filho de um casal muito religioso que dá 1/10 de tudo que tem para a igreja, sendo assim, Lev foi concebido para ser um dízimo.

Connor sabe que não é o filho perfeito, mas nunca imaginou que seus pais pudessem manda-lo para a fragmentação, quando descobre a ordem de fragmentação (uma vez assinada, não pode ser cancelada), resolve fugir. Após uma confusão no meio da rodovia, ele encontra Risa que está em um ônibus sendo levada para o “Campo de Colheita”, onde os jovens são fragmentados, e tenta “salvar” Lev que está sendo levado para a colheita por seus pais e o pastor da igreja.

A história distópica de Fragmentados é diferente das distopias que lemos, geralmente o governo distópico é cruel, a sociedade está sendo massacrada e alguns jovens resolvem se rebelar contra o governo. Mas em Fragmentados não, a sociedade aceita as leis estabelecidas e até concordam com elas. Os próprios jovens protagonistas, até serem enviados para a fragmentação, compactuavam com os ideais do governo, ou pelo menos não se importava que outros jovens fossem fragmentados. E também não estão querendo mudar nada, só querem sobreviver até os 18 anos para poderem levar uma vida normal, sem a preocupação de serem fragmentados. Tipo, cada um por si!

Se pararmos para pensar a questão da fragmentação é bastante sinistra, imagine que você resolveu que agora quer ser pianista, simples: compre as mãos de um jovem prodígio no piano e pronto, você será um pianista sem fazer aulas de piano. Porque o princípio da fragmentação é que cada parte do corpo continua viva, com lembranças da vida anterior e agindo como antes. Bizarro!!!

Os capítulos são curtos e narrados em terceira pessoa, sempre centrada em um dos três protagonistas ou em uma quarta pessoa que será importante para a história. O livro é dividido em sete partes, cada parte tem um título e um texto que será desenvolvido ali. A escrita é fluida e a leitura mantém o mesmo ritmo ao longo do livro. Apesar de o livro fazer parte de uma série, o autor fechou muito bem a história. Deixou um pequeno gancho para o segundo volume, mas a história contada neste tem um final.

Quanto ao final, eu não gostei. O desfecho foi compatível com a história, mas o jeito com que ele foi feito, achei forçado demais. Algumas coisas me pareceram não encaixar e o autor escreveu aquilo para poder finalizar os problemas dos personagens. Me senti assistindo final de novela (sabe, aquelas cenas finais, onde todos os problemas dos personagens foram resolvidos e agora é só viver feliz para sempre).

Enfim, é uma ótima distopia e recomendo para quem gosta do gênero. Infelizmente, o autor não me conquistou para continuar com a série. Vou dar somente três livrinhos, por causa do final. A história merece quatro livrinhos, mas a parte sete (e última) desvalorizou muito a história como um todo.


Um comentário:

  1. Li esse livro pela Novo Conceito na época do lançamento. Lembro que foi um dos meus favoritos do ano. Estou esperando os próximos volumes para que o final faça sentido. Quando a Novo Conceito lançar os próximos (oou eu criar coragem para ler em inglês rsrsrs) venho aqui te convidar a ler a resenha e quem sabe continuar a série? (isso se eu tbm gostar rsrsrsr)

    Obrigada por participar do #desafioalfabetoliterario

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