sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Resenha: Harry Potter and the cursed child

Título Original: Harry Potter and The Cursed Child
Autor: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Ano de Publicação: 2016
Páginas: 343p.
Editora: Little, Brown
Ano de Edição: 2016
ISBN: 9780751565355
Idioma Original: inglês
Título em português: Harry Potter e a criança amaldiçoada



Sinopse:
Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho do meio,  Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.


Como a maioria (ou todos) sabe(m), no dia 31 de Julho foi lançado o livro Harry Potter and the Cursed Child. Eu não ia comprar, não estava muito ansiosa para ler mais uma história de Harry Potter, apesar de querer saber sobre o futuro dos personagens. Mas quando eu vi toda a euforia em relação ao lançamento, não resisti e fui na segunda-feira (01/08) na Livraria Cultura buscar o meu exemplar.


A minha edição é a britânica, a jacket tem a lombada em preto e as letras em dourado e o papel é tipo emborrachado. A capa dura é toda em preto com um desenho em dourado. A diferença entre a versão britânica e americana é só a jacket e as cores da capa dura.



Aqui no Brasil o livro será lançado no dia 31 de Outubro pela Editora Rocco (responsável pela publicação dos livros de Harry Potter no Brasil) e terá o nome de Harry Potter e a criança amaldiçoada.

Antes de prosseguir com a resenha, tenho que ressaltar que o livro não é um romance (como os outros sete livros) e sim um roteiro de uma peça teatral, o texto é composto quase que exclusivamente de diálogos e algumas descrições de lugar para situar o leitor na história. Ou seja, não temos a descrição das emoções dos personagens, o fluxo de pensamento ou detalhamento de onde a cena está acontecendo.

Como está escrito na contracapa “A oitava história” dezenove anos depois. E não o oitavo livro dezenove anos depois.


A ideia original é sim da J.K. Rowling (ao contrário do que muitas pessoas andam dizendo), ela escreveu o texto. Os outros dois autores John Tiffany e Jack Thorne fizeram a adaptação para a peça teatral, afinal a J.K. não é roteirista de teatro.

A peça está sendo exibida em Londres, e é dividida em duas partes com dois atos cada, que podem ser assistidas no mesmo dia ou em dias diferentes. O livro traz as duas partes. Logo abaixo da identificação do ato e número da cena, temos o local que a cena transcorre.



Agora chega de enrolação...

A história começa exatamente onde o sétimo livro termina, 19 anos depois, Harry e Ginny e Hermione e Rony estão levando os pimpolhos para pegarem o trem para Hogwarts pela primeira vez. E novamente a cena clássica do Albus Severus (filho do meio do Harry e Ginny) com medo que o Chapéu Seletor o coloque na Sonserina.

“Albus Severus, you were named after two headmasters of Hogwarts. One of them was a Slytherin and he was probably the bravest man I ever knew.”
“Alvo Severo, você recebeu o nome de dois grandes diretores de Hogwarts. Um deles foi da Sonserina e ele foi provavelmente o homem mais bravo que eu já conheci.” tradução minha.

Já no trem, Rose (filha de Rony e Hermione) e Albus entram no compartimento que Scorpius Malfoy (filho do Draco) está. Os três começam a conversar e Rose sai do compartimento porque se recusa a ficar junto do filho do Draco. Albus, ao contrario da pequena Weasley (sério que ela tem esse sobrenome!), não vê nada de errado em conversar com o Scorpius e permanece na cabine. Assim surge uma amizade linda entre os dois. O que me fez suspirar de nostalgia lembrando a primeira vez do Rony e Harry no trem e a amizade deles surgindo.

A vida dos dois garotos não é nada fácil na escola, eles são os excluídos da turma, Albus tem todo aquele peso de carregar o sobrenome Potter e todas as pessoas esperam que ele seja tão grandioso quanto o pai, mas o garoto, ao contrário do irmão mais velho, não sabe lidar com todas essas expectativas e cobranças, principalmente em relação ao Harry. O que faz com que os dois não tenham uma relação nada boa entre pai-filho. Já Scorpius sofre bullying devido a uma fofoca que rola desde o seu nascimento. Esses problemas de adaptação que os dois têm na escola fortalecem ainda mais a amizade entre eles.

Esses problemas de relacionamentos não são a trama principal, são aquilo que dá o pontapé inicial, mas o enredo gira em torno das “aventuras” de Albus e Scorpius. Albus fica sabendo da existência de um vira-tempo (que não foi destruído como todos imaginavam) e como a síndrome de herói percorre o sangue dos Potters. Ele simplesmente resolve consertar acontecimentos passados usando o vira-tempo... já podemos imaginar o que acontece. Cada vez que ele tenta consertar algo, acaba piorando outras tantas. E assim, temos o decorrer dos acontecimentos desta nova história de Harry Potter.

“How to distract Scorpius from difficult emotional issues. Take him to a library.”
“Como distrair o Scorpius dos problemas emocionas graves. Leve-o a uma biblioteca.” - tradução minha

Quanto aos personagens, adorei rever os antigos personagens. Rony e Hermione continuam do mesmo jeito, Harry querendo ser o centro das atenções como sempre, um novo lado do Draco e tantos outros que foram resgatados do passado. Dos personagens novos que foram introduzidos tenho certa ressalva. Amei e se tornou meu favorito o Scorpius, que garoto fofo, meigo, uma mistura da inocência do Rony e a esperteza da Hermione. Albus já achei um garoto irritante, chato e estrelinha (muito parecido com o pai rsrsrsrsrsrsrs). 

Rose, ela apareceu em pouquíssimas cenas, e já nas duas primeiras não gostei nem um pouco dela. Pelas atitudes dela não acho que irei gostar futuramente da personagem, caso a J.K. resolva continuar com a história. A mais polêmica nova personagem Delphi, eu estava aceitando até a revelação surpresa do final, achei que foi exagero demais e muito difícil de aceitar.

A leitura das 330 páginas é super rápida por ser de diálogos e a diagramação de roteiro bem espaçada.

Nunca tinha lido nenhum roteiro teatral, mas eu gostei do estilo de narrativa e não tive problemas nenhum de ambientação. Os diálogos foram suficientes para entender os acontecimentos. Preferiria se fosse um romance, mesmo assim a leitura foi muito prazerosa. Amei voltar a Hogwarts depois de tanto tempo, ter aquela sensação de saudade, nostalgia e felicidade. Foi magicamente maravilhoso!


Senti sim uma grande frustração na revelação final, e até agora não estou sabendo lidar com isso. Não sinto que essa reviravolta seja plausível, mas enfim, J.K. achou que algo assim poderia ter acontecido 19 anos antes, no auge da Batalha de Hogwarts. Ela é dona da história!

O que mais me chamou a atenção foi a quantidade enorme de lugares em que as cenas acontecem. São muitas ações, efeitos especiais e cada cena muda drasticamente de local. Imagino como deve ser magico assistir a peça, que tem duração de seis horas ao todo.


Harry Potter and the Cursed Child me fez viajar no tempo (sem trocadilhos), o livro cumpriu o seu papel de nos contar sobre a vida dos personagens agora adultos e sua relação com os filhos, trabalho e preocupações cotidianas, mas com todos os elementos dos sete livros anteriores.

Recomendo sim o livro, principalmente para aqueles que querem um pouquinho de nostalgia.


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