terça-feira, 4 de outubro de 2016

Resenha: Golem e o Gênio

Título Original: The Golem and the Jinni
Autor: Helene Wecker
Ano de Publicação: 2013
Páginas: 657p.
Editora: Blue Door
Ano de Edição: 2013
ISBN: 9780062110848
Idioma Original: inglês
Título em português: Golem e o Gênio



Sinopse:
Os confrontos e as barreiras vividas por duas culturas tão próximas, ainda que aparentemente opostas. Em Golem e o Gênio, o leitor se transporta à Nova York da virada do século XX, em uma viagem fascinante através das culturas árabe e judaica. Seus guias serão poderosos seres mitológicos. Chava é uma golem, criatura feita de barro, trazida à vida por um estranho rabino envolvido com os estudos alquímicos da Cabala. Ahmad é um gênio, ser feito de fogo, nascido no deserto sírio, preso em uma antiga garrafa de cobre por um beduíno, séculos atrás. Atraídos pelo destino à parte mais pobre de uma Manhattan construída por imigrantes, Ahmad e Chava se tornam improváveis amigos e companheiros de alma, desafiando suas naturezas opostas. Até a noite em que um terrível incidente os separa. Mas uma poderosa ameaça vai reuni-los novamente, colocando em risco suas existências e obrigando-os a fazer uma escolha definitiva.


Um livro sobre mitologia já me chama a atenção e esse é sobre duas culturas que pouco conheço, a árabe e a judaica. Meus conhecimentos a respeito dos gênios se baseavam nas histórias do Aladdin e sobre os Golens, esses eu não sabia absolutamente nada.


Golem & o Gênio é o primeiro romance da autora americana Helene Wecker, e ela nos faz mergulhar nessas duas culturas e suas lendas. A autora criou uma fábula incrível e como está na capa do livro da versão brasileira, uma fábula eterna.

No começo da história vemos a criação da golem, sim golem é uma mulher, um comerciante em decadência do leste europeu procura um místico feiticeiro para este lhe criar uma golem para ser sua esposa e ambos imigrarem para os Estados Unidos. Durante a viagem de navio, o comerciante acorda a golem, contrariando as ordens do feiticeiro, logo em seguida ele morre em decorrência de uma apendicite supurada, deixando a golem sozinha e sem um mestre.

Golens são criaturas feitas de barro que são trazidas a vida por rabinos cabalísticos. Eles têm somente um propósito que é de obedecer cegamente às ordens do seu mestre e tem a natureza agressiva, são criados como guerreiros para guerra, pois uma vez fora de controle, eles matam sucessivamente até serem destruídos pelos seus mestres.

“A creature can only be altered so far from its basic nature. She'll have the strength of a dozen men. She'll protect you without thinking, and she'll harm others to do it. No golem has ever existed that did not eventually run amok. You must be prepared to destroy her.”
“Uma criatura só pode ser alterada de sua natureza básica. Ela terá a força de uma dúzia de homens. Ela irá protegê-lo sem pensar, e ela vai machucar os outros ao fazer isto. Nenhum golem nunca existiu sem perder o controle. Você deve estar preparado para destruí-la”. – tradução minha.

Nossa golem chega a New York e fica andando pelas ruas do bairro judaico, sem saber onde está, o que está acontecendo e sem um mestre para guiá-la. Até ser reconhecida por um velho rabino que a leva para casa, lhe dá um nome, Chava, e começa a “educá-la” para a vida.

Paralelamente a isso, no bairro árabe, na Little Syria (Pequena Síria), a dona de uma coffeehouse leva um frasco de cobre para um ferreiro limpar e retirar algumas pequenas imperfeições. Quando o ferreiro está polindo o frasco, eis que surge de dentro dele uma fumaça que materializa um homem pelado, assustado, procurando por um bruxo e tentando matar o pobre do ferreiro. Arbeely, o ferreiro, liberou o gênio aprisionado dentro da lâmpada mágica, mas esse gênio não lhe concede três desejos. O gênio aqui chamado de jinni, não se lembra do que aconteceu nos últimos mil anos, sua última lembrança é de estar no seu palácio no meio do deserto sírio depois de passar o dia observando uma caravana de beduínos. Assim como a golem, o jinni recebe o nome de Ahmad e o ferreiro passa a explicar-lhe sobre a vida “moderna”, seus costumes, tradição, regras e deveres.

Os jinn (plural de jinni) são criaturas feitas de fogo, possuem livre-arbítrio, independentes, curiosos, vivem em palácios no meio do deserto, invisíveis ao olho humano, os jinn podem tomar a forma de humanos, animais ou manter sua essência. Existem várias raças de jinn, com diferentes formas e habilidades, como os Ghuls e os Ifrits. Alguns possuem a habilidade de conceder desejos, eles podem ser bons ou maus. Principalmente, eles não obedecem nada e ninguém.

“His true form was insubstantial as a wisp of air, and invisible to human eye. When in this form, he could summon winds, and ride them across the desert. But he could also take on the shape of any animal, and become as solid as if he were made of muscle and bone.”
"Sua verdadeira forma é insubstancial como uma fumaça de ar, e invisível aos olhos humanos. Quando está nesta forma, ele pode conjurar ventos, e montá-los através do deserto. Mas ele também poderia assumir a forma de qualquer animal, e tornar-se tão sólido como se ele fosse feito de músculos e ossos." – tradução minha.

Assim, a história começa a se desenrolar, os capítulos são narrados em terceira pessoa e centrados em um dos personagens (no começo, depois mistura tudo), mas dentro do mesmo capítulo conhecemos a vida dos personagens secundários, que são muitos. Às vezes me confundia se tal personagem era do lado judeu ou árabe (não os identifico facilmente pelos nomes rsrsrsrsrsrs).

Os personagens são muito bem construídos, a autora criou um passado e presente para todos os personagens (exceto a Golem que nasceu no início da história). Alguns deles mereciam um livro só para eles, como no caso do místico feiticeiro Yehudah Schaalman, o médico-sorveteiro Mahmoud Saleh e é claro o Jinni, fiquei imaginando as andanças dele pelo deserto sírio.

Ponto negativo, a narrativa é muito parada, tudo acontece muito devagar até quase parar. Teve uma hora que eu pensei se teria ou não um propósito na história ou se a autora só utilizou de mitologias de duas culturas pouco exploradas na literatura para nos contar como era a vida dos imigrantes no fim do século XIX, o que os levou a deixar seus países e como se organizaram em um novo país.

Pensei em desistir da leitura várias vezes, mas como via tantas pessoas falando tão bem deste livro, acabei querendo saber se alguma coisa mudaria a minha opinião até o final. Fico feliz de não ter desistido, pois descobri novos seres mitológicos, a vida dos imigrantes em New York no século XIX e um pouco mais sobre duas culturas tão similares e tão discrepantes.

Quanto ao enredo principal achei muito fraco e arrastado para chegar aos últimos capítulos, tudo acontecer e ser resolvido. Absolutamente nada acontece até os 50% (eu li no kindle), depois disso a história começa a ganhar forma e os últimos 20% da história me prenderam e eu li numa sentada só, ao contrário dos 80% anteriores que eu levei duas semanas para ler.

Outra coisa que me incomodou foi o casal, golem e gênio, não me convenceram nem um pouco como par romântico.

Uma boa fantasia mesclada com ficção histórica e mitologia, para quem tiver paciência de chegar ao fim!


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